
A osteoporose da
educação
Gabriel Perissé
Sou um dos passageiros do Metrô de São
Paulo que folheiam o MetroNews, publicação distribuída diariamente à
entrada das estações.
E na edição de 24 de fevereiro (no 4771), deparo, na página 2, com um
artigo do secretário municipal da educação, Dr. José Aristodemo
Pinotti. Imaginei que o título escolhido pelo secretário,
“Osteoporose”, seria uma metáfora relacionada à educação... Li o texto
até o fim e... a questão era osteoporose mesmo!
Compreendo o quanto seja urgente esclarecer a população a respeito dos
males causados por essa doença. Foi interessante aprender que uma boa
forma de preveni-la é alimentar-se de leite, queijo, requeijão,
sardinha e verduras verde-escuro... mas não teria sido aquele espaço
mais bem aproveitado se fosse tratada a fragilidade da educação? Não
recebeu o ginecologista, do prefeito José Serra, a missão de cuidar da
saúde não menos ameaçada de nossas escolas?
A menos que os problemas da educação no município de São Paulo estejam
solucionados, poderíamos discutir todas as patologias que quiséssemos,
com a inestimável ajuda, é claro, do nosso secretário da Saúde, Dr.
Claudio Luiz Lottenberg.
Contudo, osso duro de roer mesmo, e a respeito desse osso quero mais
detalhes, é saber como aproveitar os 21 prédios que abrigam os CEUs
(centros educacionais unificados), que, segundo o próprio secretário,
foram mal construídos e necessitam de reformas. Outro tema: as
“escolas metálicas”, que, no verão, podem derreter os ossos e a alma
de nossos alunos e professores! Já nos livramos delas? Sim ou não?
Ah, os professores... os que enfrentam os ossos do ofício. Teremos de
pedir ao responsável pela pasta de Esportes, o advogado Marco Antonio
Capovilla Tortorello, ou ao Engenheiro Frederico Victor Moreira
Bussinger (da secretaria dos Transportes), que nos digam o que já está
sendo feito para acompanhar, promover os professores?
Vida de secretário da Educação, bem sabemos, é de moer os ossos!
Bastam tarefas como entregar uniformes e material escolar aos alunos,
ou resolver o atraso no pagamento dos motoristas do sistema “Vai e
Volta”... Por favor, secretário, conte com nosso apoio, mas nos conte
também o que pensa e o que pretende fazer!
Pois para esse diálogo serve um espaço na mídia, quando dele pode
dispor os que, em nome do povo, cuidam da coisa pública.
Gabriel Perissé é coordenador
pedagógico do Ipep (Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa) e autor
do livro recém-lançado A arte de ensinar, pela Editora Montiei.
Web Site:
www.perisse.com.br
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