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A revolução e os revolucionários


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Gabriel Perissé
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Leio no Estado de Minas, do dia 8 de setembro agora: "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, ontem, uma ‘revolução interna’ das escolas e dos educadores para que o ambiente escolar se torne mais prazeroso aos alunos".

Palavras do presidente: "Eu acho que a escola precisa fazer essa revolução interna, acho que os educadores brasileiros precisam fazer essa revolução interna também, acho que todos nós precisamos fazer essa revolução interna, para que a gente possa convencer essa meninada de que a escola é, efetivamente, o espaço mais prazeroso que ela pode freqüentar".

Eu já não "acho". Deixei de achar quando encontrei o x da questão. Tenho certeza de que a meninada precisa sentir alegria ao freqüentar a escola, e não só por causa da merenda, mas por encontrarem professores que sentem prazer em ensinar, que se sentem reconhecidos por cumprirem sua tarefa de educadores.

Presidente Lula, você tem toda a razão. É preciso atuar para que as crianças se sintam felizes na escola, "não porque a mãe está ameaçando colocar de castigo, porque o pai está ameaçando punir, mas [...] porque a escola é, efetivamente, o grande lugar onde elas poderão traçar o seu destino e o seu futuro".

E como efetivar o que devemos efetivar? Como promover essa revolução interna sem apoio externo? Refiro-me a apoio externo e não a assistencialismo. A apoio efetivo e não a meras palavras de apoio.

Em janeiro deste ano, o MEC denunciou a falta de professores no ensino médio brasileiro, especialmente nas disciplinas de física, química, biologia e matemática. Lembrando o que o próprio ministro Cristovam Buarque declarou recentemente: a inevitável explosão do número de alunos no antigo 2 o grau, hoje com quase 9 milhões de adolescentes.

Por que faltam professores? Porque cada vez menos pessoas querem seguir a carreira de professor, e só darão aulas, agora ou no futuro, se não tiverem alternativas...

Se Lula deseja uma revolução na educação, precisa convencer os brasileiros de que ser professor não é uma profissão qualquer.

Revoluções não se fazem só com palavras de ordem. Do que os professores precisam, além de melhores salários? Precisam de qualificação, de orientação, de espaço, tempo e estímulo para estudarem, para se dedicarem ao seu aperfeiçoamento como pessoas, como profissionais, como revolucionários.

 

Gabriel Perissé é doutor em Filosofia da Educação pela USP e coordenador pedagógico do Ipep (Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa).

 

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