Leio no Estado de Minas, do
dia 8 de setembro agora: "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, ontem,
uma revolução interna das escolas e dos educadores para que o ambiente
escolar se torne mais prazeroso aos alunos".
Palavras do presidente: "Eu acho que a escola precisa fazer essa
revolução interna, acho que os educadores brasileiros precisam fazer essa revolução
interna também, acho que todos nós precisamos fazer essa revolução interna, para que a
gente possa convencer essa meninada de que a escola é, efetivamente, o espaço mais
prazeroso que ela pode freqüentar".
Eu já não "acho". Deixei de achar quando encontrei o x
da questão. Tenho certeza de que a meninada precisa sentir alegria ao freqüentar a
escola, e não só por causa da merenda, mas por encontrarem professores que sentem prazer
em ensinar, que se sentem reconhecidos por cumprirem sua tarefa de educadores.
Presidente Lula, você tem toda a razão. É preciso atuar para que as
crianças se sintam felizes na escola, "não porque a mãe está ameaçando colocar
de castigo, porque o pai está ameaçando punir, mas [...] porque a escola é,
efetivamente, o grande lugar onde elas poderão traçar o seu destino e o seu
futuro".
E como efetivar o que devemos efetivar? Como promover essa revolução
interna sem apoio externo? Refiro-me a apoio externo e não a assistencialismo. A apoio
efetivo e não a meras palavras de apoio.
Em janeiro deste ano, o MEC denunciou a falta de professores no ensino
médio brasileiro, especialmente nas disciplinas de física, química, biologia e
matemática. Lembrando o que o próprio ministro Cristovam Buarque declarou recentemente:
a inevitável explosão do número de alunos no antigo 2 o grau, hoje com quase
9 milhões de adolescentes.
Por que faltam professores? Porque cada vez menos pessoas querem seguir
a carreira de professor, e só darão aulas, agora ou no futuro, se não tiverem
alternativas...
Se Lula deseja uma revolução na educação, precisa convencer os
brasileiros de que ser professor não é uma profissão qualquer.
Revoluções não se fazem só com palavras de ordem. Do que os
professores precisam, além de melhores salários? Precisam de qualificação, de
orientação, de espaço, tempo e estímulo para estudarem, para se dedicarem ao seu
aperfeiçoamento como pessoas, como profissionais, como revolucionários.