img4.gif (1916 bytes)

d
A consciência etimológica


promo_assine.gif (1734 bytes)

Gabriel Perissé
f

 

De uns tempos para cá, o mercado editorial brasileiro deu renovada atenção à etimologia, esse pequeno instrumento de grandes descobertas.

Em 1997, por exemplo, temos nos dois volumes do livro De onde vêm as palavras (título que remete ao famoso De onde vêm os bebês?) as dicas etimológicas que Deonísio da Silva começara a publicar na Revista Caras. No ano passado, esse material foi recolhido em A vida íntima das palavras, pela Editora Arx.

Era a retomada de uma tarefa que, a meu ver, não foi bem realizada pelo fraco Dicionário Etimológico da Nova Fronteira, publicado em 1982. No fundo, sentíamos todos a nostalgia de ter à mão os cinco volumes do tradicional e caríssimo Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado (custa R$ 1.000,00), ou poder consultar a qualquer hora o Dicionário Etimológico de Antenor Nascentes, hoje esgotadíssimo, que viera cobrir as lacunas deixadas pelo anteriormente esgotado Dicionário Manual Etimológico de Adolfo Coelho.

Na ausência desses trabalhos primorosos, que mestres do passado, sem computador e sem internet, fizeram com paciência e determinação infinitas — não esquecendo, porém, as contribuições precisas que os verbetes do Dicionário de Antonio Houaiss (2001) oferecem hoje — , começaram a pulular livros menores, mas com a nobre intenção de difundir a história oculta das palavras.

Publiquei Palavras e Origens em 2002, pela Editora Mandruvá (esgotado), e logo depois saiu o livro de Reinaldo Pimenta, pela Campus: A Casa da Mãe Joana, que já ultrapassou a 10 ª edição. Jô Soares, fanático por etimologia, pegou no ar o que estava acontecendo e convidou-nos a mim, Reinaldo e Deonísio, em ocasiões diferentes, para falarmos no seu Programa sobre a origem de palavras e palavrões.

Mais recentemente, dois novos livros sobre o tema: Dentro do Dentro, de Whitaker Salles, pela Editora Mercuryo, e A Origem Curiosa das Palavras, de Márcio Bueno, pela José Olympio. E não me admiraria se cada editora quisesse agora publicar o seu.

O leitor agradece, mas a lição principal é que cada um de nós pode fazer suas incursões filológicas, pois, se é verdade que a pesquisa etimológica demanda estudo rigoroso, requer outras virtudes não menos importantes: um pouco de imaginação, muito de intuição, boa dose de coragem para arriscar hipóteses, humildade, bom humor e uma vontade imensa de surpreender-se.

 

Gabriel Perissé é doutor em Filosofia da Educação pela USP e coordenador pedagógico do Ipep (Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa).

 

                          Dê a sua opinião sobre este texto



banner.gif (1362 bytes)




non_pp2.gif (5927 bytes)











Copyright © 1998-2004 Correio da Cidadania - Todos os direitos reservados
Versão eletrônica - www.correiocidadania.com.br