Este é o seu dia, professores! Dia 15 de outubro dia de dizer o
que não se deve dizer.
Este é o dia de vocês não se culparem por terem escolhido a
profissão mais importante do mundo, porque todas as outras profissões precisam de
professores.
Este é o seu dia, professores! Dia sem vitórias, sem lorotas, sem
notas, dia que não se pode adiar e que sempre volta, acusando-nos de professar o que
professamos.
Aristóteles observava que a única indicação de que realmente
sabemos alguma coisa é quando podemos ensiná-la a alguém. Mestre Aristóteles, vamos e
venhamos! Só sabemos que sabemos algo quando, ao ensinar, descobrimos que mal sabemos da
missa a metade.
A sua missão, professores, é ensinar como ninguém.
E ninguém melhor do que os professores para aprender a ensinar.
E ensinar é descobrir a necessidade de aprender tudo de novo.
É descobrir que às vezes mais importa o subproduto de uma aula do que
o seu produto. Porque podemos ensinar com maestria todas as meias verdades (produto) e o
subproduto da curiosidade, sim, ser nossa maior contribuição.
E aquilo que um professor não sabe é justamente aquilo que os alunos
ouvem. Daí a necessidade de ampliarmos ao máximo a insatisfação de nossos alunos.
Nossos alunos olham para nós, e pensam. Pensam? Se não pensam, nós
é que precisamos pensar duas vezes antes de entrar em sala de aula.
Para que sejam aulas belas, aulas vivas, aulas fortes, aulas ricas,
aulas aulas, aulas sem adjetivos, aulas inesquecíveis, aulas para sempre.
É impossível errar se não sabemos o caminho. Por isso é bom
aprender a errar. Sinal de que temos um rumo. De que podemos retomá-lo a qualquer
momento. E um dia chegar onde é preciso chegar.
Mas chega de imaginarmos os alunos perfeitos! Eles já existem e estão
por aí, aos milhões. Os alunos reais os que de fato interessam são
aqueles que ainda temos que descobrir em nossos alunos. São alunos invisíveis. Alunos
aos quais devemos ensinar a arte de cometer erros criativos. Aqueles erros que tudo
ensinam. Aqueles erros que nos dão as certezas que valem a pena.
Este é o seu dia, professores. Dia de não ensinar nada de útil. Dia
de esquecer as grandes lições. Dia de não dizer o que sempre esperam ouvir de nós.
Gabriel Perissé é autor do recém-publicado livro A Arte da Palavra
(Editora Manole).