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A teoria da escolha


Por Gabriel Perissé
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A editora Mercuryo acabou de prestar um serviço ao leitor brasileiro. Publicou um livro de William Glasser, prestigioso psicólogo norte-americano, cujo título — Teoria da escolha — diz tudo. Ou quase tudo.

Para sermos práticos precisamos criar uma boa teoria, e a teoria da escolha é uma ótima teoria quando se trata de lidar com as circunstâncias que parecem tolher nossas ações, determinar nossas decisões e moldar nosso comportamento.

Por vezes, esquecemos que, apesar de todos as limitações, temos em nós o poder da liberdade. Somos livres para escolher, mesmo quando estamos presos.

Contudo, só entende a teoria da escolha e dela tira proveito quem decide aprendê-la. Ninguém consegue ensinar nada a alguém que nada quer aprender. Somos livres para não exercer a liberdade...

A teoria da escolha é uma teoria realista. Não perde tempo em analisar, nas dobras do passado pessoal, as causas remotas das atuais frustrações. A única forma de alterar nosso velho passado é construir um novo presente, para viver num futuro melhor. E essa atitude requer a decisão de tomar as rédeas da própria vida.

Médicos, terapeutas, professores, pais (e quem mais quiser incluir-se nesta lista) poderão usufruir das idéias de Glasser, eliminando (ou administrando melhor) sentimentos e comportamentos que nos assaltam a todos: depressões grandes ou pequenas, mágoas, ansiedades, medos e até mesmo reações violentas e descontroladas.

Normalmente, pensa-se que o controle externo é a saída para momentos de crise pessoal ou social. Estou ansioso? Tomarei um bom tranqüilizante. A sociedade está à deriva? Façamos leis mais coercitivas. Uma sala de aula está agitada? O professor pode punir. E assim por diante...

Ou assim para trás!

A única pessoa cuja vida eu posso realmente controlar sou eu mesmo.

Para isso, claro, é preciso perguntar-me: "O que eu quero? O que estou fazendo para conseguir o que quero? Devo mudar alguma coisa em meu comportamento para obter o que eu quero?"

Não ocultemos os condicionamentos externos. Muito do que eu quero não poderei conseguir. Mas, de novo, posso retomar a teoria da escolha: "Se o que eu quero agora é impossível atingir, o que posso escolher atingir agora para obter, mais tarde, o que eu ainda quero?"

O filósofo Julián Marías escreveu certa vez: "a infelicidade é preferir o que não se prefere." A teoria da escolha ajuda-nos a preferir o que preferimos.

 

Gabriel Perissé é autor do livro Palavras e origens (Ed. Mandruvá)

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