A editora Mercuryo acabou de prestar um
serviço ao leitor brasileiro. Publicou um livro de William Glasser, prestigioso
psicólogo norte-americano, cujo título Teoria da escolha diz tudo.
Ou quase tudo.
Para sermos práticos precisamos criar uma boa
teoria, e a teoria da escolha é uma ótima teoria quando se trata de lidar com as
circunstâncias que parecem tolher nossas ações, determinar nossas decisões e moldar
nosso comportamento.
Por vezes, esquecemos que, apesar de todos as
limitações, temos em nós o poder da liberdade. Somos livres para escolher, mesmo quando
estamos presos.
Contudo, só
entende a teoria da escolha e dela tira proveito quem decide aprendê-la. Ninguém
consegue ensinar nada a alguém que nada quer aprender. Somos livres para não exercer a
liberdade...
A teoria da escolha é uma teoria realista.
Não perde tempo em analisar, nas dobras do passado pessoal, as causas remotas das atuais
frustrações. A única forma de alterar nosso velho passado é construir um novo
presente, para viver num futuro melhor. E essa atitude requer a decisão de tomar as
rédeas da própria vida.
Médicos, terapeutas, professores, pais (e quem
mais quiser incluir-se nesta lista) poderão usufruir das idéias de Glasser, eliminando
(ou administrando melhor) sentimentos e comportamentos que nos assaltam a todos:
depressões grandes ou pequenas, mágoas, ansiedades, medos e até mesmo reações
violentas e descontroladas.
Normalmente, pensa-se que o controle externo é
a saída para momentos de crise pessoal ou social. Estou ansioso? Tomarei um bom
tranqüilizante. A sociedade está à deriva? Façamos leis mais coercitivas. Uma sala de
aula está agitada? O professor pode punir. E assim por diante...
Ou assim para trás!
A única pessoa cuja vida eu posso realmente
controlar sou eu mesmo.
Para isso, claro, é preciso perguntar-me:
"O que eu quero? O que estou fazendo para conseguir o que quero? Devo mudar alguma
coisa em meu comportamento para obter o que eu quero?"
Não ocultemos os condicionamentos externos.
Muito do que eu quero não poderei conseguir. Mas, de novo, posso retomar a teoria da
escolha: "Se o que eu quero agora é impossível atingir, o que posso escolher
atingir agora para obter, mais tarde, o que eu ainda quero?"
O filósofo Julián Marías escreveu certa vez:
"a infelicidade é preferir o que não se prefere." A teoria da escolha
ajuda-nos a preferir o que preferimos.
Gabriel Perissé é autor do livro Palavras e
origens (Ed. Mandruvá)
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