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A imortalidade de Paulo Coelho


Por Gabriel Perissé
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Em 1997, escrevi um breve ensaio sobre este fenômeno editorial chamado "Paulo Coelho" (http://www.hottopos.com/mirand4/suplem4/paulo.htm). Passados cinco anos, chegou o momento de comentar a sua consagração nacional como escritor. A Academia Brasileira de Letras, no dia 25 de julho (Dia do Escritor!), elegeu para a cadeira 21 um dos autores hoje mais conhecidos no mundo.

 

Paulo Coelho tomará posse da cadeira que pertenceu ao orador da Abolição, José do Patrocínio, ao romancista Mário de Alencar (filho de José de Alencar), ao poeta Olegário Mariano, ao poeta Álvaro Moreyra, ao romancista Adonias Filho, ao teatrólogo Dias Gomes e, mais recentemente, ao economista Roberto Campos. Nenhum deles (com ou sem razão) deve estar achando lisonjeiro ver quem os sucedeu nesta vaga.

 

Mas não adianta ninguém (vivo ou morto) espernear e revoltar-se. A Academia Brasileira de Letras é uma associação e tem o direito de aceitar os membros que bem entender, mesmo aqueles que produzem subliteratura. Houve uma eleição interna e a maioria manifestou sua preferência.

 

Contudo, nós que estamos de fora (mas não estamos por fora), nós, a imensa minoria, temos o dever de lembrar à Academia seu papel na sociedade e os objetivos de seus fundadores.

 

Machado de Assis escreveu, em 1897: "A Academia, trabalhando pelo conhecimento [...], buscará ser, com o tempo, a guarda da nossa língua. Caber-lhe-á então defendê-la daquilo que não venha das fontes legítimas — o povo e os escritores —, não confundindo a moda, que perece, com o moderno, que vivifica. Guardar não é impor; nenhum de vós tem para si que a Academia decrete fórmulas. E depois, para guardar uma língua, é preciso que ela se guarde também a si mesma, e o melhor dos processos é ainda a composição e a conservação de obras clássicas."

 

Hoje, oficialmente, Paulo Coelho tornou-se um clássico da literatura brasileira. A rigor, deveremos ler os seus textos com o mesmo cuidado com que lemos Lygia Fagundes Telles, Nélida Piñon, Rachel de Queiroz, sem falar, é claro, de outros imortais, como José Sarney e Roberto Marinho...

 

Enquanto isso, Paulo Coelho segue seu caminho (agora, em busca do Prêmio Nobel...), fazendo-nos acreditar que a sua obra é vanguardista, e que o seu estilo (são palavras dele) é um estilo novo, "ainda não muito bem digerido por um sistema que manipula a dificuldade como instrumento de dominação."

 

Gabriel Perissé é autor do recém-lançado livro "Palavras e origens", Ed. Mandruvá.

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