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A casa do poeta


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Por Gabriel Perissé
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O poeta mora no aeroporto e todos os dias viaja para distantes países.

O poeta mora na alameda, de onde não perde o fio da meada.

O poeta mora na artéria, e o seu coração pulsa sem parar.

O poeta mora no atalho, para chegar atrasado ao encontro com a morte.

O poeta mora na avenida, e nela se perde no meio do povo.

O poeta mora no beco, e por isso imagina todas as saídas.

O poeta mora no bosque, e nele encontra todos os que se perdem.

O poeta mora no cais, para despedir-se de todas as amadas.

O poeta mora na calçada, e analisa em paz o mundo veloz.

O poeta mora no caminho, e todo caminho leva a algum lugar.

O poeta mora no desvio, para reencaminhar todos os andarilhos.

O poeta mora na escadaria, para lavá-la todos os dias.

O poeta mora na esplanada, entre o tudo e o nada.

O poeta mora na estrada, e dá carona a todo aquele que não sabe aonde ir.

O poeta mora na fonte, bebendo a juventude.

O poeta mora no jardim, onde planta seus livros.

O poeta mora na ladeira, e por ela sobe e desce diariamente.

O poeta mora no lago, monstro que ninguém viu.

O poeta mora no largo, para alargar nossa existência.

O poeta mora no morro, para nele não morrer.

O poeta mora no parque, porque a vida é diversão.

O poeta mora na passagem, para que o passado possa passar.

O poeta mora no pátio, recreando e recriando a criação.

O poeta mora na ponte, sob e sobre.

O poeta mora na praça, e nunca tem pressa.

O poeta mora na praia, espumas flutuantes.

O poeta mora no recanto, cantando e recantando seu verso.

O poeta mora no retiro, retirando tudo o que há no nada.

O poeta mora no retorno, para o qual sempre se volta.

O poeta mora na rotatória, reinventando novas rodas.

O poeta mora na rua, onde vive a vida nua.

O poeta mora na travessa, poetizando os temas transversais.

O poeta mora no trevo, brincando com sua sorte.

O poeta mora na trincheira, declamando guerra às guerras.

O poeta mora no túnel, no fim do qual desenhou uma estrela.

O poeta mora no vale, onde, sorrindo, derrama todas as suas lágrimas.

Gabriel Perissé é autor do recém-lançado livro "Palavras e origens" (Editora Mandruvá).

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