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As idéias são boas... no papel!


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Por Gabriel Perissé
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Escritor é aquele que escreve.

Eis um daqueles óbvios ululantes que às vezes não enxergamos.

As idéias do escritor são boas quando vão para o papel. E do papel transbordam e nos transcendem, para cumprir seu papel em outras vidas... em outros papéis.

Muitas pessoas ameaçam escrever, sonham em escrever, afirmam de pés juntos que gostariam de escrever, avisam que num glorioso dia irão escrever... mas não escrevem.

Contudo, o livro só vale se for escrito. E no livro só vale o que estiver escrito. Se um escritor precisa explicar o que disse, por que o disse, ou por que não disse o que pensou dizer... é porque o livro não se sustenta sozinho. Não passou de um esboço. De uma tentativa louvável.

O livro é a concretização real do potencial de quem escreve. Escrever não é promessa irrefletida, é missão, compromisso e realização. Escrever não é desejo etéreo, mas fruto da dedicação de quem vai ao extremo de si mesmo.

Um dos professores mais produtivos que conheço é o professor Jean Lauand, da USP, que está comemorando este mês 30 anos de ininterrupta atividade intelectual, com muitos artigos, ensaios e livros, impressos e na internet (http://www.hottopos.com/4.htm#jean).

E o seu mérito não está só na quantidade (e na variedade de idiomas em que publica seu trabalho), mas sobretudo na qualidade acadêmica de seus textos, na comunhão (para alguns escandalosa) que consegue realizar entre Paulinho da Viola e Tomás de Aquino, Santo Agostinho e futebol, cultura cristã e cultura islâmica.

Ebner, um pensador austríaco, dizia que o problema da filosofia moderna é que as pessoas sonham com a verdade, em lugar de procurá-la efetivamente, ilusão causadora desses terríveis divórcios entre cultura e ética, entre beleza e bondade, e que levavam, por exemplo, um oficial nazista a ouvir, embevecido, belas sinfonias depois de um dia de intenso "trabalho"...

Analogamente, há escritores que imaginam o seu texto mas não se comprometem com a realidade real das palavras.

Há escritores que vivem no talvez, no quem sabe, no possivelmente, paralisados pelo perfeccionismo, atitude mental inimiga da perfeição.

Há quase-escritores que não compreendem o mais elementar dos princípios: para escrever é preciso escrever, sair de si mesmo e lançar-se no deserto do papel.

Escrever para valer é um ato de coragem, de entrega, de amor.

Gabriel Perissé é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência) e "O leitor criativo" (Omega Editora).

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