O pior cego é aquele que não sabe ouvir, na leitura dos fatos,
as vozes do passado, do presente e do futuro.
Os conflitos e desavenças humanas, em suas
dimensões caseiras e sociais, nacionais e planetárias, resultam da miséria e,
sobretudo, da falta de formação intelectual, moral e espiritual dos jovens. Esses
conflitos e tensões na família, na empresa e nos mais diversos grupos humanos (até os
que se definem pela busca da paz...) nascem da falta de verdades, da falta de valores e da
falta de amor.
Os jovens são o futuro, e muitos jovens olham
o futuro sem saber o que pensar, o que fazer, aonde ir.
Estamos cercados e invadidos pelo medo que nós
mesmos instalamos.
O medo existe porque existe um clima de
instabilidade, insegurança e incerteza. O amanhã inspira cuidados, alertas, avisos,
provoca insônias. E passamos noites em claro porque está bem claro que não podemos
dormir tranqüilos.
O que podemos oferecer às novas gerações?
A resposta não é difícil: justiça e
educação.
Para 2002, e depois, temos de promover justiça
verdadeira e promover verdadeira educação.
Uma coisa é adestrar jovens para o comércio,
para a guerra ou para a escravidão.
Uma coisa é instruir jovens para que obedeçam
às regras dos manuais nas empresas, paguem em dia suas contas e sejam pessoas... normais.
Uma outra coisa é educar os jovens para
que sejam felizes.
Não, não tenho a fórmula secreta, não vou
distribuir meus panfletos. Mas, por uma questão de justiça, devo dizer que muitos jovens
estão bebendo (e se drogando) pelo simples motivo de não terem motivos!
Agora que as campanhas antitabagistas
tornaram-se politicamente corretas, tornou-se mercadologicamente correto difundir a bebida
alcoólica. O Brasil é um país quente, indefeso. Por isso as propagandas de bebida
gelada, com mulheres belas e disponíveis (embriagadas pelo sonho do sucesso fácil),
roubaram o lugar das propagandas de cigarro. Os jovens atléticos que fumavam foram
substituídos pelos que bebem cervejinhas inofensivas...
Temos de matar a sede dos jovens com outro tipo
de bebida. A bebida das palavras, dos argumentos que esclarecem, convencem, mobilizam.
Por uma questão de justiça, temos de
reconhecer: estamos em dívida com os jovens, em dívida com o futuro.
Por uma questão de justiça, precisamos
oferecer-lhes algo mais.
Oferecer-lhes idéias e ideais, que entusiasmem
e façam voar!
Gabriel Perissé é autor dos livros LER, PENSAR E
ESCREVER e O LEITOR CRIATIVO
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