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2002 e depois


Por Gabriel Perissé
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O pior cego é aquele que não sabe ouvir, na leitura dos fatos, as vozes do passado, do presente e do futuro.

Os conflitos e desavenças humanas, em suas dimensões caseiras e sociais, nacionais e planetárias, resultam da miséria e, sobretudo, da falta de formação intelectual, moral e espiritual dos jovens. Esses conflitos e tensões na família, na empresa e nos mais diversos grupos humanos (até os que se definem pela busca da paz...) nascem da falta de verdades, da falta de valores e da falta de amor.

Os jovens são o futuro, e muitos jovens olham o futuro sem saber o que pensar, o que fazer, aonde ir.

Estamos cercados e invadidos pelo medo que nós mesmos instalamos.

O medo existe porque existe um clima de instabilidade, insegurança e incerteza. O amanhã inspira cuidados, alertas, avisos, provoca insônias. E passamos noites em claro porque está bem claro que não podemos dormir tranqüilos.

O que podemos oferecer às novas gerações?

A resposta não é difícil: justiça e educação.

Para 2002, e depois, temos de promover justiça verdadeira e promover verdadeira educação.

Uma coisa é adestrar jovens para o comércio, para a guerra ou para a escravidão.

Uma coisa é instruir jovens para que obedeçam às regras dos manuais nas empresas, paguem em dia suas contas e sejam pessoas... normais.

Uma outra coisa é educar os jovens para que sejam felizes.

Não, não tenho a fórmula secreta, não vou distribuir meus panfletos. Mas, por uma questão de justiça, devo dizer que muitos jovens estão bebendo (e se drogando) pelo simples motivo de não terem motivos!

Agora que as campanhas antitabagistas tornaram-se politicamente corretas, tornou-se mercadologicamente correto difundir a bebida alcoólica. O Brasil é um país quente, indefeso. Por isso as propagandas de bebida gelada, com mulheres belas e disponíveis (embriagadas pelo sonho do sucesso fácil), roubaram o lugar das propagandas de cigarro. Os jovens atléticos que fumavam foram substituídos pelos que bebem cervejinhas inofensivas...

Temos de matar a sede dos jovens com outro tipo de bebida. A bebida das palavras, dos argumentos que esclarecem, convencem, mobilizam.

Por uma questão de justiça, temos de reconhecer: estamos em dívida com os jovens, em dívida com o futuro.

Por uma questão de justiça, precisamos oferecer-lhes algo mais.

Oferecer-lhes idéias e ideais, que entusiasmem e façam voar!

Gabriel Perissé é autor dos livros LER, PENSAR E ESCREVER e O LEITOR CRIATIVO

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