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A leitura em último lugar


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Por  Gabriel Perissé
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"A escola brasileira não sabe ensinar a ler e ponto" — disse o ministro da Educação Paulo Renato, como se essa declaração explicasse o péssimo desempenho de estudantes brasileiros (de escolas públicas e particulares) no PISA — Programa Internacional de Avaliação de Alunos —, colocando o Brasil em último lugar entre os 32 países avaliados quanto à "capacidade de leitura, assimilação e interpretação de texto".

O ministro tentou lavar as mãos com o famoso sabão Pilatos e crucificar a escola, mas cabe a nós transformar o ponto final que Paulo Renato indevidamente empregou em reticências que iniciem uma reflexão mais aprofundada...

O primeiro ponto a ressaltar é que este resultado apenas confirma a necessidade de enfatizarmos o papel do livro na formação do brasileiro, e isso vai muito além da compra de obras didáticas pelo governo ou a multiplicação de bibliotecas públicas.

Precisamos pensar, usar mais o ponto de interrogação!

O jovem brasileiro simplesmente lê mal ou será que mal viu seus pais lendo e por isso nunca experimentou o bem que isso faz à nossa visão de mundo?

E se os pais não leram, e portanto não deram o exemplo mais poderoso (o exemplo familiar), não o fizeram por quê? Por falta de livros nas estantes ou por falta de uma consciência da importância insubstituível da leitura?

O jovem brasileiro não lê? Mas não lê o quê? Não lê Machado de Assis e Alcântara Machado? Alguém vai querer nos convencer de que os dois Machados são autores para jovens? E o fenômeno Harry Potter? Será tão difícil perceber que o jovem (e as crianças... e os adultos) gosta de ler boas histórias, e aí não há livro de 500 páginas que assuste?

O ponto realmente problemático não é que a escola brasileira seja incapaz de ensinar a ler. Nem a escola nem os professores são os grandes culpados, embora não devamos diluir sua responsabilidade.

Precisamos criar um ambiente favorável à leitura, com a valorização de quem lê. Os bons leitores precisam de mais espaço e reconhecimento na TV, nos jornais, no próprio sistema de ensino. Precisam sair do último lugar!

Se o Brasil ficou em último lugar nesse "Campeonato da Leitura" é porque a leitura no Brasil está em último lugar.

Precisamos virar o jogo.

Precisamos convocar e ouvir nossos grandes leitores.

Gabriel Perissé é autor dos livros LER, PENSAR E ESCREVER e O LEITOR CRIATIVO

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