"A
escola brasileira não sabe ensinar a ler e ponto" disse o ministro da
Educação Paulo Renato, como se essa declaração explicasse o péssimo desempenho de
estudantes brasileiros (de escolas públicas e particulares) no PISA Programa
Internacional de Avaliação de Alunos , colocando o Brasil em último lugar entre
os 32 países avaliados quanto à "capacidade de leitura, assimilação e
interpretação de texto".
O ministro tentou lavar as mãos com o famoso
sabão Pilatos e crucificar a escola, mas cabe a nós transformar o ponto final que
Paulo Renato indevidamente empregou em reticências que iniciem uma reflexão mais
aprofundada...
O primeiro ponto a ressaltar é que este
resultado apenas confirma a necessidade de enfatizarmos o papel do livro na formação do
brasileiro, e isso vai muito além da compra de obras didáticas pelo governo ou a
multiplicação de bibliotecas públicas.
Precisamos pensar, usar mais o ponto de
interrogação!
O jovem brasileiro simplesmente lê mal ou
será que mal viu seus pais lendo e por isso nunca experimentou o bem que isso faz à
nossa visão de mundo?
E se os pais não leram, e portanto não deram
o exemplo mais poderoso (o exemplo familiar), não o fizeram por quê? Por falta de livros
nas estantes ou por falta de uma consciência da importância insubstituível da leitura?
O jovem brasileiro não lê? Mas não lê o
quê? Não lê Machado de Assis e Alcântara Machado? Alguém vai querer nos convencer de
que os dois Machados são autores para jovens? E o fenômeno Harry Potter? Será
tão difícil perceber que o jovem (e as crianças... e os adultos) gosta de ler boas
histórias, e aí não há livro de 500 páginas que assuste?
O ponto realmente problemático não é que a
escola brasileira seja incapaz de ensinar a ler. Nem a escola nem os professores são os
grandes culpados, embora não devamos diluir sua responsabilidade.
Precisamos criar um ambiente favorável à
leitura, com a valorização de quem lê. Os bons leitores precisam de mais espaço e
reconhecimento na TV, nos jornais, no próprio sistema de ensino. Precisam sair do último
lugar!
Se o Brasil ficou em último lugar nesse
"Campeonato da Leitura" é porque a leitura no Brasil está em último lugar.
Precisamos virar o jogo.
Precisamos convocar e ouvir nossos grandes
leitores.
Gabriel Perissé é autor dos livros LER,
PENSAR E ESCREVER e O LEITOR CRIATIVO
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