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Brevíssima e apaixonante


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Por  Gabriel Perissé
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Nota-se um saudável despertar editorial por livros que pretendem iniciar o leitor nos caminhos do conhecimento da filosofia e não só de uma vaga sabedoria em que, por vezes, os mais espertos e menos sábios pontificam sobre temas tão amplos como a vida, o amor, a verdade etc.

Trata-se de uma superação. Um pequeno mas significativo salto de qualidade. Começamos a procurar um pouco mais de substância, um pouco mais de seriedade. O livro Paixão pelo saber, por exemplo, tem sido bem acolhido, e não é um livro fácil, embora o subtítulo — uma breve história da filosofia — seja um elegante convite para quem não lê por falta de tempo...

Na realidade, o subtítulo original é mais modesto: a very brief... Ou seja, é uma história brevíssima.

Brevíssima e apaixonante. A paixão nasce da contemplação dessas mentes filosóficas e argutas, fontes de inquietação intelectual, de busca, de anseio pelas respostas, de interesse vivo pelo "quê" das coisas, ou mesmo pelo "quem" das coisas, como corrigia Guimarães Rosa, enigmaticamente.

O que as coisas são, qual a essência de tudo, quem é o ser humano.

O livro menciona os autores clássicos, mas eu gostaria de destacar um que é menos citado por aí, Maimônides, o sapientíssimo sábio judeu que, no século XII, escreveu o Guia para os perplexos. Só o título, belíssimo, já é uma tremenda tentação. E como não se deve combater esse tipo de tentação, consegui uma edição francesa da obra... de 700 páginas, em que se opera um amistoso diálogo entre a tradição hebraica, a ciência da época, Aristóteles e Platão.

A propósito, voltando ao livro aqui resenhado, as páginas sobre Platão são talvez as melhores. O inesquecível Sócrates não seria inesquecível e muito menos seria Sócrates se não tivesse encontrado esse dedicadíssimo porta-voz, ao mesmo tempo fiel e imaginativo, que registrou, embelezou e transformou as conversas do mestre numa referência necessária para pensadores iniciantes ou já maduros.

Knowledge itself is power — Conhecimento é poder, dizia o renascentista Francis Bacon. Poder perigoso, perigosíssimo, se dissociado de um conhecimento ainda mais apaixonante, que consiste em mostrar-nos que a força da inteligência não está em acorrentar a natureza, dissecar os dilemas, solucionar os problemas com arrogância semi-divina, mas em abrir-se, superlativamente, e acolher o mistério do mundo.

Paixão pelo saber, Civilização Brasileira, 2001, 206 páginas.

Gabriel Perissé é autor dos livros LER, PENSAR E ESCREVER e O LEITOR CRIATIVO

 

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