Neste
mês, experimentei a alegria de coordenar a edição de dois números de uma revista
internacional, tendo como parceiro o Instituto de Filosofia de Cuba.
As dificuldades que o povo cubano enfrenta
heroicamente, decorrentes do injusto embargo econômico, tornam bastante acidentada a
difusão das contribuições intelectuais, artísticas e culturais cubanas fora do país,
mas, por obra e graça da internet, conseguimos conversar e preparar os números 3 e 4 da
Revista Videtur-Letras, disponível agora no site da Editora Mandruvá (www.hottopos.com).
Ler artigos de pensadores cubanos
contemporâneos e de professores e escritores brasileiros num mesmo trabalho editorial é,
a meu ver, propiciar e efetivar o diálogo Brasil-Cuba, para além do plano do mero
discurso ou de divergências ideológicas.
Dentre os artigos, há um especialmente
interessante, o do Prof. Félix Valdés, em cuja leitura conhecemos melhor o desafio que
tem sido expor o pensamento cubano na Web, particularmente as obras digitalizadas de Che
Guevara e do educador e poeta José Martí.
Deste, a propósito, publicamos um belo texto
sobre educação popular, que vale a pena ser lido e relido. Aqui, um rápido resumo:
José Martí é bem aquele tipo de idealista
pragmático que vê na educação o lugar de encontro entre ricos e pobres. Nesse lugar
popular, povo não é uma categoria que exclui a elite, e pobre não é alguém que não
possa ser mais rico pelas qualidades morais e pelas da inteligência.
Para Martí, quem sabe mais tem a melhor moeda,
porque o saber sempre vale mais que todos os dólares valorizados. As notas de dólares
podem ser perdidas. O saber é uma riqueza da qual podemos viver, mesmo que nos faltem os
tais dólares.
O povo mais feliz é aquele em que seus filhos
amam o estudo, e nele encontram mais do que um degrau para serem bem sucedidos no mercado
de trabalho.
Todo ser humano tem o direito de aprender, de
receber conhecimento, de saber o porquê de tudo, de matar a sua curiosidade
intelectual... que ressuscita diariamente.
Quem recebe o conhecimento tem prazer em
transmiti-lo e esse prazer não tem preço.
Quem sabe não pode mais ser manipulado nem
escravizado, e o melhor modo de defender nossos direitos é conhecê-los bem, convencer-se
de que não são absurdos.
Todos temos muito que aprender com todos.
Nada como um bom diálogo!
Gabriel Perissé é autor dos livros LER,
PENSAR E ESCREVER e O LEITOR CRIATIVO
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