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Brasil e Cuba em revista


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Por  Gabriel Perissé
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Neste mês, experimentei a alegria de coordenar a edição de dois números de uma revista internacional, tendo como parceiro o Instituto de Filosofia de Cuba.

As dificuldades que o povo cubano enfrenta heroicamente, decorrentes do injusto embargo econômico, tornam bastante acidentada a difusão das contribuições intelectuais, artísticas e culturais cubanas fora do país, mas, por obra e graça da internet, conseguimos conversar e preparar os números 3 e 4 da Revista Videtur-Letras, disponível agora no site da Editora Mandruvá (www.hottopos.com).

Ler artigos de pensadores cubanos contemporâneos e de professores e escritores brasileiros num mesmo trabalho editorial é, a meu ver, propiciar e efetivar o diálogo Brasil-Cuba, para além do plano do mero discurso ou de divergências ideológicas.

Dentre os artigos, há um especialmente interessante, o do Prof. Félix Valdés, em cuja leitura conhecemos melhor o desafio que tem sido expor o pensamento cubano na Web, particularmente as obras digitalizadas de Che Guevara e do educador e poeta José Martí.

Deste, a propósito, publicamos um belo texto sobre educação popular, que vale a pena ser lido e relido. Aqui, um rápido resumo:

José Martí é bem aquele tipo de idealista pragmático que vê na educação o lugar de encontro entre ricos e pobres. Nesse lugar popular, povo não é uma categoria que exclui a elite, e pobre não é alguém que não possa ser mais rico pelas qualidades morais e pelas da inteligência.

Para Martí, quem sabe mais tem a melhor moeda, porque o saber sempre vale mais que todos os dólares valorizados. As notas de dólares podem ser perdidas. O saber é uma riqueza da qual podemos viver, mesmo que nos faltem os tais dólares.

O povo mais feliz é aquele em que seus filhos amam o estudo, e nele encontram mais do que um degrau para serem bem sucedidos no mercado de trabalho.

Todo ser humano tem o direito de aprender, de receber conhecimento, de saber o porquê de tudo, de matar a sua curiosidade intelectual... que ressuscita diariamente.

Quem recebe o conhecimento tem prazer em transmiti-lo e esse prazer não tem preço.

Quem sabe não pode mais ser manipulado nem escravizado, e o melhor modo de defender nossos direitos é conhecê-los bem, convencer-se de que não são absurdos.

Todos temos muito que aprender com todos.

Nada como um bom diálogo!

Gabriel Perissé é autor dos livros LER, PENSAR E ESCREVER e O LEITOR CRIATIVO

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