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Por Gabriel
Perissé |
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Prof. Lauand, que virtude combate melhor o fanatismo? Aristóteles fala sobre o brincar em Ética a Nicômaco, comentado por Tomás de Aquino, e a conclusão a que chegam é que brincadeira é coisa séria. Brincando, o ser humano encontra o repouso depois de toda essa tensão a que somos submetidos diariamente. Mas brincar também é uma forma de não tornar nossas convicções um peso para nós mesmos e para os outros. Tomás afirma que o brincar é necessário para a vida humana, e insiste: a brincadeira é especialmente necessária para os intelectuais, que "desgastam" mais o espírito e precisam da "re-creação" para não se tornarem ásperos. No Brasil, os valores da convivência estão em conexão de sentido com o bom humor: alimentam-se mutuamente (ou definham juntos...). Tomás ficaria entusiasmado com um boteco do Rio (onde há mais alegria do que em toda a Suíça junta). A brincadeira pode degenerar em zombaria? É o vício por excesso. Aristóteles diz que aqueles que exageram no brincar chamam-se bomolochi, "os ladrões do templo", à semelhança das aves de rapina que voavam ao redor do templo para roubar as vísceras dos animais imolados. Quem não sabe brincar "rouba" algo e o converte em deboche, algo odioso e ofensivo. E os que nunca sabem brincar? É o vício por falta, próprio do fanático que se torna inflexível, incapaz de suportar contrariedades e surpresas. Nesse sentido, existe uma "lei empírica", a lei de Churchill: "Fanático é aquele que não muda de opinião... nem de assunto". Aristóteles e Tomás diriam que instituições e pessoas demasiadamente "sérias" não devem ser levadas a sério... Qual a essência da arte de brincar? Para os antigos, os que se comportam convenientemente no brincar são eutrapeli, segundo Tomás, "aqueles que bem convertem", pois sabem converter em riso agradável as coisas que dizem ou fazem. Então entre o zombeteiro e o fanático encontra-se o homem bem-humorado? Sim. A virtude do brincar é própria do epidéxios, ou seja, do homem bem adaptado para o convívio, equilibrado, que sabe ouvir e dizer ludicamente, livre das paixões que cegam para o bem e a verdade. Internet: |
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