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Por Gabriel
Perissé |
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Depois do Império Romano e da Cristandade medieval talvez nunca o homem tenha se sentido tão unido sob uma única bandeira como a que agora tremula nas terras do país virtual. Um país virtual composto por pessoas de todas as mentalidades, em todos os pontos do planeta. Um país virtual em que há grande mobilidade, e a invisibilidade é a chance de cada um reconstruir seu próprio eu. É evidente que ainda nem todos conseguiram cidadania nesta grande rede de contatos e encontros, mas a tendência é que isso ocorra, ou que pelo menos boa parte da humanidade possa plugar-se, como hoje boa parte pode dirigir um carro. E este país virtual, apesar de todos os pesares, chama-se liberdade. Liberdade, por exemplo, de ler o jornal que eu quiser e na língua que eu souber. Liberdade de escrever, publicar e difundir eletronicamente o que as editoras não querem publicar, seja por motivos comerciais ou ideológicos. Liberdade de difundir minhas idéias gratuitamente e de gratuitamente saber o que os outros pensam. Liberdade de mandar e-mails (sempre pedindo licença) a quem eu quiser. Liberdade de mandar minha mensagem para milhares de pessoas, em poucos segundos, sem sair de casa e sem gastar um tostão no correio, nem xerox, nem envelope, nada. Basta digitar e clicar.
Liberdade de ler, gratuitamente, as experiências de milhares de pessoas em qualquer ponto do mundo. Liberdade de saber. E em poucos minutos. Um jornal pode ser fechado, uma emissora de rádio interditada, uma emissora de TV queimada, um país pode ser ocupado, mas a Internet não. Pelo menos espero que não... Os vírus? Um pouco de precaução e estamos livres deles. Muitos se contaminam, quer dizer, contaminam seus computadores, porque são curiosos demais. E clicam sobre o primeiro ícone que recebem. Cuidado, porque a Internet também é um campo de liberdade para quem odeia a liberdade. A liberdade é terrível, já sabia disso o grande inquisidor imaginado por Dostoievsky, e muitos preferem abdicar desse dom e dessa responsabilidade. Mas se a imensa liberdade que a Internet potencia pode realmente aumentar as dores de cabeça de todos (invasão de privacidade pessoal e empresarial, infoviciados sem dormir, pedofilia eletrônica, difusão mais rápida de idéias intolerantes etc.), em compensação permite-nos a todos ultrapassar as fronteiras do tempo e do espaço para comunicar apreensões, desejos e esperanças, como eu agora, neste artigo. Internet: |
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